Neste momento, estudantes universitários e do ensino médio estão se mobilizando para fazer ouvir suas reivindicações relacionadas às suas condições de vida e de estudo. Essa mobilização, já histórica, está à altura das dificuldades que enfrentam.
Iniciado de forma espontânea, este movimento — inédito em sua dimensão desde maio de 1968 — reflete a angústia da juventude diante de condições de estudo precárias (falta de mesas, ratos nas instalações, 35 alunos por turma, falta de professores, ausência de aquecedor e ar-condicionado, etc.) e de um futuro incerto. Suas demandas, que visam obter condições dignas de estudo e de vida, estão expostas em suas 10 medidas de emergência. Elas são legítimas e devem ser implementadas para permitir que todos estudem com tranquilidade.
Mobilizar-se e reivindicar são direitos e condições necessárias para a democracia.
Os movimentos sociais são fundamentais para o funcionamento de uma democracia saudável. Protestar é a ferramenta essencial daqueles que não têm acesso a outras instâncias. Esses movimentos são de importância crucial para a conquista e a defesa de direitos e constituem um dos pilares do nosso país. A insurreição é considerada um dever pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1793. Tais movimentos moldaram nosso país e contribuíram para a sua grandeza social.
Os movimentos estudantis — e suas reivindicações — sempre refletiram o espírito de sua época. Desde 1968 — e remontando até o século XV —, os movimentos estudantis têm sido a expressão tanto do que não funciona no país quanto do caminho a seguir para melhorar essas condições. A mobilização atual é, por sua vez, sintomática dos problemas enfrentados pela juventude. Esses problemas decorrem de um governo que jamais fez dessa população sua prioridade, bem como de um presidente que afirma publicamente não “gostar de adolescentes“. Tais problemas também são denunciados por professores que compartilham a mesma percepção de seus alunos e pedem apoio a eles.
Traits-d’Union preza profundamente a democracia, o direito a uma educação digna e a segurança de todos e todas.
Garantir uma educação de qualidade para todos e todas sempre foi uma de nossas prioridades. Hoje, identificamo-nos (nos identificamos) com a luta travada pela juventude na França e apoiamos suas reivindicações por uma escola e uma vida dignas
Parem de espancar nossos filhos!
Diante dessa demanda, o governo só soube oferecer repressão e respostas decepcionantes: mais uma consulta, mas nenhuma medida concreta. Esse tem sido o modo de governar da presidência de Macron desde que assumiu o cargo, em 2017.
Desde as manifestações dos “coletes amarelos” em 17 de novembro de 2018 — que reivindicavam melhor poder de compra e mais democracia —, os governos não cessaram de exibir suas forças repressivas para conter os movimentos de cidadãos. Esse modelo de manutenção da ordem tornou-se a norma para o poder vigente. O atual movimento juvenil não foge à regra. Os manifestantes, em sua maioria menores de idade, são vítimas de forte repressão, com casos de perda de visão, mão arrancada e mais de 5.000 detenções em cinco dias — algumas delas ocorridas antes mesmo das manifestações. Esse número supera as estatísticas dos dias de maior repressão durante o movimento dos “coletes amarelos”. A Liga dos Direitos Humanos denuncia um “desvio generalizado em relação ao Estado de Direito”, e nós nos unimos a essa denúncia. Essas detenções e os maus-tratos perpetrados pelas forças policiais não são incidentes isolados; trata-se de violência policial exercida por um poder que a autoriza estruturalmente e a incentiva ao negar a legitimidade das reivindicações dos estudantes. Essa violência — denunciada pelo sindicato da magistratura, que pede o fim da “repressão à juventude para silenciá-la” — é indigna de uma democracia.
Convidamos todos e todas que puderem a aderir a este movimento e a assinar a petição que exige a implementação de 10 medidas de emergência. Esse movimento também ecoa nossas lutas locais, enquanto franceses e francesas no exterior, contra as reformas da AEFE. Todos nós somos afetados pela degradação das condições de estudo e precisamos nos mobilizar por uma escola de qualidade e emancipadora! Afinal:
“Quem ensina sem emancipar, embrutece” – Rancière
Deixar um comentario